SES-DF reforça importância do teste da orelhinha para diagnóstico precoce da surdez infantil

A Secretaria de Saúde do Distrito Federal (SES-DF) mantém a realização do teste da orelhinha — conhecido tecnicamente como triagem auditiva neonatal — em todas as maternidades da rede pública. O exame é uma das principais estratégias para detectar, ainda nos primeiros dias de vida, possíveis alterações auditivas que podem comprometer o desenvolvimento da fala, da linguagem e da interação social da criança.

Entre janeiro e outubro de 2025, cerca de 23 mil recém-nascidos foram submetidos ao procedimento no DF. Em 2024, o número chegou a aproximadamente 35,3 mil exames, evidenciando a ampla cobertura do serviço. Para a referência técnica distrital de fonoaudiologia da SES-DF, Ocânia da Costa Vela, a triagem antes da alta hospitalar é decisiva para garantir um acompanhamento adequado desde o início da vida. Segundo ela, identificar alterações auditivas precocemente amplia significativamente as chances de desenvolvimento pleno da comunicação oral e das habilidades sociais.

Nos casos em que o bebê não apresenta resposta satisfatória no exame inicial, o encaminhamento é feito por meio da regulação para unidades especializadas, como o Centro Educacional da Audição e Linguagem Ludovico Pavoni (Ceal) e o Hospital Universitário de Brasília (HUB-UnB). Nessas instituições, habilitadas pelo Ministério da Saúde, são oferecidos diagnóstico completo, acompanhamento contínuo e, quando necessário, adaptação de aparelhos auditivos e terapias específicas.

O teste é rápido, indolor e seguro, realizado preferencialmente nas primeiras 48 horas de vida, ainda na maternidade, podendo ser feito até 30 dias após o nascimento. Caso não seja realizado nesse período, os responsáveis podem retornar à unidade de origem em até 90 dias. Após esse prazo, o agendamento ocorre via regulação. O procedimento utiliza a técnica de emissões otoacústicas evocadas (EOAE), que avalia a resposta das células da cóclea enquanto o bebê dorme tranquilamente.

A SES-DF também destaca que a perda auditiva pode surgir em qualquer fase da vida, por fatores genéticos, infecções ou exposição prolongada a ruídos intensos. Para os casos diagnosticados, o Sistema Único de Saúde (SUS) disponibiliza tecnologias avançadas de reabilitação, como o implante coclear e a prótese auditiva ancorada no osso (PAAO), ofertadas na Atenção Hospitalar conforme a necessidade de cada paciente. Esses recursos integram a rede de cuidados à pessoa com deficiência, reforçando o compromisso do SUS com a inclusão e a qualidade de vida.